Querido blog,
Nesses últimos tempos, venho percebendo uma questão um pouco perturbadora a meu respeito. Fato é, que tenho vivido muito de memórias de um passado, e ansiedade extrema por um futuro incerto.
Acho que sou muito nova para viver dessa forma, afinal, ainda faltam três anos para eu alcançar os temidos trinta. E ainda assim, me sinto uma velha resmungona.
Me pego inúmeras vezes no decorrer do dia revivendo algumas cenas do passado, principalmente minhas viagens tão apreciadas...Como sinto falta delas, mesmo tendo que aguentar meu pai ou ainda minha madrasta mala, mesmo assim foram momentos que me fizeram tão feliz, tão viva. O antes, o durante, o depois. Na minha opinião não há nada melhor do que uma viagem bem feita para fazer a vida valer a pena, são sentimentos únicos para mim. Cada um sabe o que lhe faz feliz.
Desde que comecei o relacionamento com meu noivo, há quase quatro anos, só fizemos uma viagem juntos, e percebo que essa falta de diversão o acomete na mesma intensidade que a mim. Vivemos fazendo as coisas aqui, tentando tocar a vida, tentando viver bem, mas não nos sobra tempo, e o dinheiro que sobra acabamos investindo no apartamento novo em vez de fazer coisas que amamos, como viajar.
Claro que poderíamos viajar para a praia ou alguma cidadezinha aqui perto, mas tanto eu quanto meu noivo temos essa obsessão em conhecer países e culturas diferentes, viajar dentro do Brasil não é com a gente, não nos interessa nem um pouco. Por isso, sinto nele o mesmo vazio que tenho em mim. A saudades de um tempo em que todo o dinheiro que sobrava poderia ser investido no lazer e no prazer.
Por outro lado, quando penso no futuro, me vem um aperto no peito. Um medo, uma insegurança.
O apartamento novo ficará pronto no final de 2015, ou seja, ainda teremos mais dois anos de espera até lá. E mesmo quando for entregue, teremos outras preocupações, como fazer os armários planejados (e haja grana!), pagar o financiamento, pagar todas as dívidas que vierem em decorrência disso.
E então, chegará o momento de ter um bebê. Um sonho que se realizará, mas que impedirá outros por alguns anos, até que a criança cresça o suficiente.
Tantos medos, tantos se's, tantas saudades.
Acho que pelo fato de eu trabalhar em casa, me sobra mais tempo para refletir diretamente sobre esses aspectos. Quando você trabalha cercado por outras pessoas, não há muita folga para ficar divagando e sofrendo por essas coisas.
Meu noivo também tem surtos a respeito desses pontos que levantei, de passado e futuro, mas os dele na maioria das vezes acontecem no final de semana, que querendo ou não, são os únicos dias que ele tem tempo para pensar.
E aí eu olho essa ou aquela pessoa, e sinto a inveja que me faz tão mal.
Me revolto com a minha vida, mesmo sabendo que isso é um pecado devido ao tanto de coisas boas que tenho ao meu redor. Mas não sei porque me parece tão difícil focar nas coisas boas, não sei porque por mais que eu me esforce parece que meu foco fica na insatisfação.
Se eu falasse essas coisas para alguém como meu pai, por exemplo, ele me diria que essa minha lamentação é apenas "falta de problema na vida", pois segundo ele, quem não trabalha fora não pode ter problema.
Minha mãe, por outro lado, sempre me diz que eu que crio meus problemas, porque quem tem problemas mesmo é ela, que trabalha em uma empresa exigente e com colegas de trabalho mal humorados, e blá blá blá.
Já meu noivo, concordaria comigo em todos os meus "desesperos", e é por esse motivo que não posso ficar abrindo o jogo com ele, pois neste caso teríamos um casal de surtados insatisfeitos com a vida. Para o meu noivo, procuro sempre manter a positividade, mesmo porque preciso estar inteira para quando ele tiver um surto a respeito destas coisas.
Sei que o X da questão é que eu aprenda a viver e aproveitar melhor o meu presente, sem ficar sofrendo por um futuro que pode ser tão maravilhoso, e por um passado que, neste aspecto, foi perfeito.
Sei que devo agradecer a Deus pelas boas lembranças, e rezar para que os próximas sejam igualmente maravilhosas, mas este "meio do caminho" que tem me deixado de fato desesperada.
E o pior que não tenho com quem conversar a esse respeito, pois ninguém entenderia. As pessoas acham fácil dizer "Você não tem direito de ter problema na vida porque sua vida é boa."
É fácil falar, olhar de fora, difícil é ser eu, viver na minha própria cabeça, enfrentar meus demônios todos os dias, combatê-los e chegar psicologicamente inteira no final do dia.
Sei que cada um tem sua luta. Um está lutando para sarar de uma doença, outro está lutando para comprar uma casa, outro para conseguir manter o relacionamento, outro para recomeçar a vida mudando de cidade, outro para ter um filho...Cada um com sua estrada. E eu estou lutando para conseguir ser feliz, mesmo com toda a nostalgia e com todo o medo do futuro. O medo é o que mais me assusta, pois sei que o que passou já foi, posso me apegar nas boas lembranças, nas fotos de outros tempos, porém, o medo do futuro me impede de viver o presente.
Eu vou me casar logo? Quando? Por que ele enrola tanto? Vamos viajar? Quando? Vai dar tudo certo com o apartamento? Vamos conseguir pagar tudo o que precisar? Vou ter um bebê? Quando? Vou dar aulas logo? Como vou administrar minha renda? Meu noivo vai ficar bravo se eu engravidar sem o consentimento dele daqui uns dois anos? Vamos poder dar uma vida confortável para o bebê? Minha sogra vai nos deixar em paz? O pirralho vai parar de dar dor de cabeça?
Basicamente essas questões que assolam minha cabecinha durante o dia inteiro. Claro que viver de incertezas e medos deixa qualquer um louco, por isso que eu queria encontrar a fórmula para conseguir mudar isso, mudar o que me causa tanto sofrimento, que é essa ansiedade desenfreada.
Será que todo mundo é assim e eu não sei? Se for, a vida é uma merda. Mas acho que não, acho que é possível sim ser feliz com a realidade que se tem. Mas é preciso educação psicológica.
Hoje à noite eu e minha mãe levaremos meu priminho, que é afilhado dela, ao Burger King em Campinas. É um programa que sempre fazemos com ele em comemoração ao dia das crianças, e este ano minha mãe pensou que ele não iria querer (visto que já tem 14 anos), mas semana passada ele telefonou dizendo que quer ir do mesmo jeito, pois gosta muito da nossa companhia. Achamos tão bonitinho, ele é um pré-adolescente fofo, tão diferente do imbecil do meu cunhado. E eu quero muito aproveitar esse passeio, curtir os momentos tão simples mas que podem se tornar uma lembrança linda um dia, quero estar com a mente presente, e não apenas o corpo.
Acho que vou começar a fazer terapia de novo, quem sabe assim consigo sair do abismo que eu mesma criei para a minha realidade.
Mas, vou tentando ser feliz...
Beijos

Um comentário:
Olá Clara!
Eu entendo perfeitamente a sua situação pois eu tb já fui assim. Hj e claro que eu ainda sou, pois tb gosto mto de viajar mas no momento, minhas prioridades são outras. A faculdade que acaba agora, demandou muito dinheiro. Mas nao me arrependo, sempre penso que esse dinheiro poderia ter um carro do ano agora, mas no mesmo momento penso que um carro me atrasaria mais do que adiantaria. Então sigo ok. Agora viria o momento de planejar viagens com o Rapha, mas tenho outros objetivos que preciso poupar esse dinheiro. Cada programa caro, cada show me faz lembrar que fico um pouco mais distante do meu objetivo... Fico pensando se vai demorar mto até o dia em que eu vou realizar este plano (que só o Rapha e minha família sabe que estou planejando) e até que chegue o dia, me sinto mt ansiosa. É estranho, a gente se sente presa num limbo, né?
Fico olhando o facebook das pessoas que estao fazendo isso que eu quero fazer e o que sinto não é nem de longe inveja, até pq são pessoas que merecem aquilo tudo, mas sinto uma saudade disso, que eu ainda não vivi. Como se aquilo fosse tao pra mim tb, mas no tempo errado. É confuso isso, mas é como me sinto.
Então, eu te entendo perfeitamente. Pode ser que amanha td mude na minha vida e meus planos mudem. O seus pelo menos já estão encaminhados (o apto. comprado, casamento a vista e o sonho de ter bebe compartilhado). Eu e Rapha seguimos um dia de cada vez e isto já me incomodou mto. Hoje eu aceito que minha forma de viver é meio bagunçada (e ele tb aprendeu a lidar com isto) e que sou incapaz de fazer um plano desses como casar, comprar casa e tal. Se for pra ser vai acontecer em algum fim de semana em que bebemos além da conta, rs,
Por vc ser tao organizada com seus planos, acredito que esta indo pelo caminho certo. Só que algumas vezes, pra vivermos um sonho, temos que abrir mao de outro, como no seu caso vc esta abrindo mao das viagens. Mas é bom vc lembrar sempre que nunca é tarde pra viver nossos sonhos, como muitas vezes um casal com os filhos crescidos resolvem largar tudo por um tempo pra viajar pelo mundo. Ou uma senhora aposentada que resolve virar atriz, e por aí vai... Vc sabe o que te faz feliz e uma coisa é certa: seu coração nao vai sossegar enquanto vc nao perseguir isto, entao se acalme, aprecie a felicidade que vc tem hoje, cada momento, na hora certa vc estará preparando suas malas e partindo com seu noivo pra uma grande viagem juntos!
Ps: foi bom ler este desabafo e comentar nele foi um desabafo pra mim tb, rsrs
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