quarta-feira, 2 de abril de 2014

Quando a vida exige paciência

Querido blog,

Em todo começo de mês, eu sinto aquele sentimento de esperança de que será um mês melhor do que o anterior. Mesmo que o outro tenha sido bom, gosto de ter fé de que será ainda melhor.
Mas, estamos apenas no segundo dia do mês e já senti algumas tristezas e contrariedades, o que dificulta que eu consiga manter o pensamento positivo.

Admito que, embora tenham várias coisas me deixando irritada nesses dias (como a pintura da casa que está me levando à loucura, a folga diária do meu irmão para cima da minha mãe, etc), quem mais tem me deixando triste no momento é a pessoa que deveria ser meu maior parceiro, o meu noivo.

Graças a Deus nós não tivemos mais brigas horrorosas e dramáticas por motivos delicados, como vinha acontecendo no comecinho do ano, porém, ultimamente sinto que ele está cada dia mais mal humorado.
Acredito que o mau humor todo seja em decorrência da necessidade de viajar diariamente para a capital nessa quinzena, obrigando-nos a acordar 4:30h da madrugada e ele a chegar em casa 20h da noite.
Claro que fazer uma vida dessas deixaria qualquer pessoa de saco cheio, mas o que me revolta é o fato de ele descontar tudo em mim.

Cada dia é uma coisa que ele arruma para implicar, para me acusar de ter feito algo errado, para me dar ordens e perturbar com motivos idiotas.
A última dele ontem foi cismar (de novo!) que quer ir embora do Brasil. Toda vez que ele precisa trabalhar em algum local que não concorda, vem com essa porcaria de história, como se fosse a solução dos problemas. A questão não é que ele fala e depois esquece, mas sim fica insistindo na coisa, repetindo, atormentando, falando sem parar, parece um disco riscado. 

Ontem me encheu o saco até eu ligar na escola de francês mais cara da região para perguntar sobre aulas individuais, pois agora não basta ele querer ir embora para o Canadá, mas ainda por cima quer morar na região de Quebec onde a língua oficial não é inglês, e sim francês. 
Ou seja, para que facilitar se pode complicar? Que raiva!!!

E o pior de tudo é que preciso fingir que estou entrando na dele, caso contrário a reação de surto é mil vezes pior. Ontem ele teve a capacidade de me xingar e falar um monte de abobrinha apenas porque a conta de luz chegou quinze dias atrasada devido à greve dos Correios. 
E que culpa tenho eu que a porcaria do correio estava em greve? Ele berrou tanto, como se a nossa luz tivesse sido cortada ou algo do gênero. Louco total. Parece cada dia mais desequilibrado e sem controle das próprias reações. Está complicado.

Estes foram apenas dois exemplos de coisas que o fizeram surtar ontem. Tem pelo menos mais três tópicos de chatices que ele fez apenas em uma noite, mas não quero me prolongar muito, pois estou mentalmente cansada de tudo isso.

Quando hoje cedo, contei resumidamente para minha mãe os ocorridos da noite anterior, ela me disse que eu não vou aguentar viver com uma pessoa assim tão implicante e bipolar durante toda a vida.
De um lado ele é mesmo difícil. Por outro lado, ele é bom para mim (na maioria do tempo), me agrada, cuida de mim e sei que podemos sempre contar um com o outro. Esse lado "dragão" que existe dentro dele, aflora algumas vezes e dependendo de fatores externos (geralmente fatores ligados à sua constante insatisfação profissional), e admito que é muito, muito complicado de administrar isso no sentido de conviver com a pessoa. 
Depois que eu dou um comprimido de Rivotril, quase imediatamente ele sossega o facho, mas me pergunto o que farei quando o remédio não der mais conta.

Só sei que nesta quarta-feira me sinto desanimada, sem vontade de muita coisa. Queria passar o dia trancada no meu quarto (que é um dos poucos lugares da casa onde os pintores já terminaram o serviço) com a minha dog, ficar quietinha e deixando o mundo lá fora que se resolva e depois venha me chamar quando tudo estiver ok.
Mas claro que  isso não é possível. Assim como todos, tenho meus afazeres, minhas responsabilidades...E às vezes é bem difícil pegar no tranco.

Hoje cedo enquanto meu noivo e eu estávamos a caminho da casa da minha mãe, rolou um diálogo no qual ele me garantiu que a nossa vida seria um mar de rosas se ele trabalhasse do lado de casa.
Concordei para não causar uma nova discussão, mas por dentro pensei que, com certeza se ele trabalhasse no quarteirão vizinho, ainda assim arrumaria problemas, reclamaria do chefe, do trabalho, disso e daquilo outro. Porque infelizmente, ele é um eterno insatisfeito.

A minha sorte é que no dia a dia do trabalho, ele não demonstra ser como realmente é. Ele é falso com os colegas, finge que está tudo bem, que adora o que faz, e faz muito bem feito, tanto que recebe constantes elogios. Ainda bem que é assim, porque se qualquer diretor ou sócio descobrisse como ele realmente pensa, estaríamos encrencados. Enquanto isso, sobra para a "esposa" segurar o tranco.

Mas não tem jeito, apesar de tudo, eu o amo muito...Preciso aprender a conviver com essas coisas sem sofrer, senão estarei ferrada.
Acho que esse é apenas mais um desabafo, nada além disso...
Continuo na esperança de que as coisas melhorem...E que Abril seja abençoado!

Beijos

Um comentário:

Dayane Pereira disse...

Como te falei, ele não enxerga as coisas que vc enxerga, que mudar de cidade não significa deixar os problemas aqui no Brasil. Quem sabe se ele começar a procurar algo na sua cidade? Porque assim metade dos problemas serão sanados.
Acho que sua mãe tem uma certa razão quando ela diz que vc não vai aguentar viver com alguém tão bipolar. Ao mesmo tempo que vc equilibra ele neste sentido, tem coisas que a gente não aguenta mto tempo, como grosseria. Acho que vc precisa mostrar pra ele que surtar assim não vai levá-lo a lugar algum, ele precisa se controlar pro bem dele mesmo, imagina vcs com um bebezinho dormindo e ele gritando?
Mas acredito que vc tem um autocontrole invejável rs e sempre lida bem com essas situações (ou melhor, segura as pontas das pessoas e fica passando mal e se moendo por dentro). Ainda bem que vc tem a meditação agora! rsrs