Querido blog,
Preciso de um desabafo antes de prosseguir com meu dia, caso contrário, sinto que irei explodir.
Gostaria de iniciar essa postagem com um fato a meu respeito. Um fato que minha mãe e a maioria das pessoas tem dificuldade para aceitar: eu sou muito feliz trabalhando em casa e em prol da minha família.
Isso não é segredo para ninguém que me conhece, mas minha querida mãe às vezes insiste que todos os problemas que tenho na vida são devido a essa minha escolha um tanto "diferente" para os padrões atuais. queria ter nascido 100 anos atrás
Mas enfim, essa foi apenas uma introdução para eu poder explicar o que tanto me incomoda.
Quero dizer também, que não acredito mais em contos de fada, nem em príncipe encantado. Acho que essa constatação vem com a maturidade. Acredito no amor e no respeito mútuo, mas Romeu e Julieta não existem mesmo na vida real.
Hoje cedo, por volta de 06:30h da manhã, meu noivo estava saindo para trabalhar, mas antes de entrar no carro, me deu uma montanha de ordens para cumprir. Eu disse a ele que este não é o melhor dia para realizar essas atividades em questão, visto que tenho prova na faculdade às 19h da noite. Ele disse "Dá um jeito!". E seguiu rumo à capital.
Quando minha mãe acordou e percebeu minha nítida chateação, perguntou sobre o que se tratava. Contei que estava triste, de fato. No entanto, minha mãe começou com a velha ladainha de que o meu noivo só me dá ordens e mais ordens e mais ordens porque eu não trabalho fora, que se eu trabalhasse fora eu seria mais feliz, teria mais força, seria mais independente, e blá blá blá....
Por mais que eu soubesse que a intenção dela era boa, insisti que ela estava errada.
Cada casal se adapta de um jeito, e no caso do meu noivo (como ele mesmo já me falou inúmeras vezes), ele precisa de uma mulher dedicada à família, que possa agradá-lo e ajudá-lo nas tarefas externas que ele não pode executar devido ao trabalho (como por exemplo levar o carro na revisão, ir ao banco, ir ao supermercado). Ele diz que uma mulher que trabalhe fora não daria certo com ele.
Isso pode soar machista, porém, EU GOSTO ASSIM. Eu sou machista. E foi o que tentei explicar para minha mãe. Algumas pessoas tem como objetivo carreira, outros tem como objetivo família. Sei que é possível conciliar os dois (a maioria hoje em dia faz isso), mas eu gosto de me dedicar de corpo e alma a uma atividade.
Meu acordo com meu noivo é velado, mas existe. Nós nos respeitamos, ele paga as contas, eu faço os serviços domésticos e externos, eu cuidarei dos filhos, ele sustentará, e após isso poderemos juntos descansar, viajar, passear, sabendo que cada um cumpriu sua parte do "acordo".
Eu sou feliz assim, eu gosto assim, ele está satisfeito assim. Qual o problema? Até aqui nenhum, mas vou chegar lá.
Minha mãe diz que eu fico bajulando muito o meu noivo, pois nem o próprio prato ele faz e nem a própria roupa no armário ele pega, sem contar inúmeras outras atividades simples que ele não faz. Eu não me importo de paparicá-lo, afinal, ele faz tanto por mim, ele trabalha fora, enfrenta trânsito, enfrenta problemas no trabalho, tudo isso para pagar nossas contas e nos dar uma vida confortável. No entanto, sei que eu também tenho minha fatia de méritos no bem-estar de nossa pequena família, afinal, passo o dia em atividades que posteriormente irão beneficiá-lo. Diante disso, creio que nós dois deveríamos usufruir dos louros derivados do trabalho.
Sempre foi assim, não foi? Minha avó trabalhava em casa, e ninguém nunca duvidou que ela se esforçava e muito para manter a família unida e saudável, enquanto meu avô saía para trabalhar fora. Cada um com sua parte! Qual o problema? Ainda nenhum...
Fora que eu tenho duas faculdades, o que serve como "seguro" para se um dia eu precisar trabalhar, ou seja, não sou uma pessoa ignorante apostando todas as minhas fichas na mão de um homem.
Minha mãe disse ainda (ela estava revoltada com meu noivo hoje cedo, então, não poupou críticas) que meu noivo agrada muito mais a cachorrinha do que me agrada.
Eu respondi a ela que no fundo não me importo, primeiro porque eu também amo a cachorrinha, ela é minha, então, não é como se ele estivesse dando atenção para um filho bastardo. E outra coisa, melhor que ele agrade a dog, que fique nos seus videogames e séries, e me deixe quieta.
Eu o amo, sim, mas ultimamente não vejo mais o romance como costumava ver um tempo atrás.
Como eu já falei, romances épicos não existem na vida real. Principalmente após alguns anos de relacionamento. São deveres a cumprir e respeito a se dar, essa é a verdade. E tenho observado outros casais por aí (principalmente os casados ou que moram juntos), e a vibração que sinto é exatamente esta. Então, por mais que minha mãe tenha na mente dela que deveríamos viver um eterno romance, eu estou bem nesse aspecto.
Eu tinha uma amiga na minha adolescência que costumava dizer que queria cuidar da família e em troca arrumar um marido que pudesse dar a ela uma vida confortável. Não havia necessidade de grandes luxos, empregadas, e etc, mas apenas uma vida confortável e filhos saudáveis.
No fim, esta deu mais sorte do que eu, hoje em dia é casada, mora nos Estados Unidos e já tem um bebê.
Mas tudo bem, eu também estou no caminho de atingir meus objetivos, principalmente em relação ao filho e à casa própria. Não posso reclamar.
Bom, agora, após essa imensa "introdução", posso dizer o que de fato está me atormentando.
A questão é a seguinte, já que meu noivo e eu trabalhamos cada um em sua parte, pode-se deduzir que nós dois deveríamos aproveitar dos derivados da história. E nem estou falando financeiramente, pois neste sentido ganho uma mesada da minha tia-avó que dá tranquilamente para eu suprir minhas vontades materiais. Mas estou falando de diversão mesmo.
O que tem me incomodado (e muito!!!) é que meu noivo se mata de trabalhar, eu me mato de fazer as coisas, ele vira e mexe se enfia na casa da minha mãe e não quer ir embora, várias folgas que eu e minha mãe aguentamos sem reclamar, e no final das contas quem ganha os agrados é a família dele.
Pois é, chegamos ao ponto que sempre atormenta minha vida.
(atenção filhos do futuro, se um dia vocês lerem o diário da mamãe, não fiquem entediados pelo tanto que eu reclamo da sua família paterna, apenas estando na minha pele para saber o que eu passo!)
Meu relacionamento com meu noivo teria um altíssimo nível de satisfação se não houvesse esse problema insuportável para lidar.
Quando menciono a família dele, é mais do que certo que quero dizer apenas minha sogra e meu cunhado.
Meu noivo só pensa em agradá-los!
Ele não fica muito preocupado em agradar a mim, ou mesmo a minha mãe que faz tudo para ele, que deixa ele jantar aqui todo dia, dormir aqui constantemente, tomar banho, usar o carro dela quando precisa deixar o dele para lavar ou fazer revisão, tudo isso ele não enxerga.
Mas a mãe dele, que explora ele, que é folgada, que é maluca, que é alucinada, essa ele enxerga, e ainda morre de dó.
Como ter dó daquele mulher, meu Deus? E do pirralho, então? Como ter pena de um menino ruim, que me trata mal para caramba, que só sabe pedir coisas?
Não é possível!
E da minha família ele fala mal. Fala que minha mãe é capacho do meu irmão (ela é mesmo, mas só eu posso dizer isso, afinal, eu não falo as verdades que penso sobre a mãe dele), fala mal do meu pai, da minha prima, do meu tio, até do meu avô que já morreu, de todo mundo!!! E eu tenho que ficar quieta, pois qualquer opinião negativa que expressar sobre a velha maluca ou o pirralho retardado, já vira um caos!
Eu simplesmente não acho isso justo, e ultimamente tenho sentido que é intolerável.
Esse final de semana que se aproxima ele arrumou programa com a família dele no sábado e no domingo, e na outra semana idem, mesmo eu falando que na próxima semana é aniversário da minha mãe. Fora que na semana passada fomos naquela porcaria de show para agradá-lo.
Então é assim, ou agrada a ele mesmo ou agrada a família dele? E eu que me dane? Ai, que ódiooooooooo!
O tonto fala que ele tem que fazer as coisas para a família dele porque eles moram longe (GRAÇAS A DEUS). Bom, se eles morassem perto eu e ele certamente não estaríamos mais juntos, porque não daria para suportar.
E agora o pai dele inventou de abrir um novo negócio no interior de Minas Gerais, em uma cidadezinha onde judas perdeu as botas, que fica há 250km da cidade em que eles moram.
Não sei se o pai vai mudar para lá, mas se mudar com certeza meu noivo vai começar a se preocupar com a louca e o pirralho morando "sozinhos" na cidade atual.
Ai, que nervo, não quero nem pensar, não vou sofrer por antecedência!!!
Só sei que sábado teremos que ir para essa cidade de MG na inauguração da loja do pai dele, e na volta dormiremos na casa da minha sogra, onde provavelmente passaremos um domingo insuportavelmente chato.
Tem horas que cansa aguentar esse tipo de coisa, cansa demais!
Apesar de eu amar muito o meu noivo, às vezes eu repenso!
Não largaria dele nessas alturas do campeonato, nem tenho estômago para começar um novo relacionamento, mas algumas vezes tenho vontade de cobrir a cabeça com o travesseiro e ficar quietinha esperando esses momentos ruins passarem.
Não suporto quando alguém vem falar para mim "quando você casa com a pessoa, você casa com a família dela". Vai a merda quem inventou isso!
E o negócio é o seguinte, quer ir visitar a insuportável da minha sogra, ok, mas pelo menos reconheça o que o meu lado da família faz por ele. Principalmente o que eu faço por ele, e minha mãe também, mas eu que sou a "esposa" dele, no mínimo mereço um pouco mais de consideração.
Eu não me mato de trabalhar a semana toda para deixar a vida dele em ordem, para no final de semana ter que passar nervoso constantemente.
Se ele agrada muito mais a dog do que eu, por mim tudo bem, quer dizer que será um bom pai para os meus filhos, mas agradar mais a família perturbada dele do que eu, aí já é um pouco demais para o que meu estômago poder aceitar.
Pronto, terminei o desabafo!
E o que farei a partir daqui:? Não sei...Na verdade só uma coisa me vem à cabeça, tentarei começar a tratá-lo mais friamente. Sem toda a atenção e os sorrisinhos que ele tanto não dá valor. Vou cumprir minhas obrigações, é claro, mas deixando de ser a tonta que facilita tudo para ele!
É o único jeito de tentar fazê-lo reconhecer quem de verdade merece a atenção dele.
E pronto.
Tchau.
Obs: não vou revisar o texto, dane-se se tiver erros.

Um comentário:
Oi Clara!!
Imagino como vc já deve estar saturada ao ponto da necessidade de desabafar assim. Isso faz bem não é?
Concordo que ninguém é obrigado a "casar" com a família, mto pelo contrário! Acho que tem família que só atrapalha! Ainda bem que eu e o meu somos bem individualistas com isso, e mesmo se não fosse, a familia dele é um amor pra mim e vice-versa.
Lembrando de outros textos em que vc desabafa sobre este assunto, eu percebo que a falta do diálogo atrapalha um pouco, pq vc tenta sempre omitir seu descontentamento e aguenta as coisas calada. Mas vc já pensou que vc vai casar com ele e por isso esta situação na vida de vocês é insustentável? Uma hora vc vai explodir!
Talvez pra mim seja uma solução simples pois desde que eu decidi ser feliz eu só faço o que eu quero, é lógico que as vezes omito umas coisas pra agradar mas nada que tenha que se repetir, sou mto espontânea com quem já me conhece bem. Talvez pra vc não seja tão simples assim falar na cara dele quanto seria pra mim, mas é uma dica, afinal, vc mesma disse que ele fala da sua família, então vc tem o mesmo direito.
E qaundo vc pensa que ele trabalha fora, enfrenta trânsito etc... e o que vc passa? Trabalha duro em casa, faz tudo por ele... vc sem ele continua sendo uma pessoa formada, tem pra onde voltar se precisar, tem a mesada da sua tia-avó. Ele sem vc tem o emprego dele e mais nada... ou seja, ele precisa mais de vc do que vc dele, se for pra medir tudo na balança. Então, meu conselho enquanto "amiga virtual" é que vc tire da sua cabeça essa necessidade de sempre agradar e considere que vc MERECE tanto quanto ser agradada também, e MUITO!!
E outra coisa: eu não namoro o homem mais fácil do mundo apesar dele ser mto bom pra mim, ele tem mta opinião e discordamos em diversos pontos, vc bem sabe porque acompanha meu blog há tempos que eu saio falando coisas, sou meio grossa até e me arrependo mts vezes hihihi. Mas, meu ponto é: estamos juntos ainda com mto amor e respeito - nada de contos de fadas - porque a gente conversa, a gente é transparente, nada é gratuito e por isso cada ponto de discordância merece um segundo do nosso tempo pra conversarmos. Parece que sou chata sempre falando isso pra vc, mas é que é a MELHOR coisa, é isso que salva o meu namoro diariamente e por isso me parece que sua situação seria mto fácil de resolver se vc apenas falasse tudo pra ele, na hora em que sentir, apenas fale. Se isso que existe entre vocês é respeito e cumplicidade - eu acredito que é - então um bom diálogo só vai fazer bem e não piorar tudo. Vai por mim.
Fica minha dica de algo que comigo funciona, não custa tentar, vai que a sua felicidade plena esteja apenas há algumas palavras de distância HAHA.
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